
Vencedora do Oscar de melhor filme estrangeiro em
Na obra, o jovem músico Daigo Kobayashi se vê obrigado a vender seu violoncelo e a deixar a cidade grande, junto com sua esposa, depois que a orquestra em que ele toca é dissolvida. O casal retorna para o interior, onde a falecida mãe do protagonista lhe deixou sua casa como herança. Já de início notamos o ressentimento que Daigo tem para com seu pai, que abandonou a família quando o menino tinha apenas seis anos de idade, para ir embora com outra mulher.
À procura de trabalho, o ex-músico atende a um anúncio de emprego em uma empresa que ajuda a partir. "Deve ser uma agência de viagens", ele pensa, e vai todo animado. Mas, para sua surpresa, trata-se de uma agência funerária, que "acondiciona" os corpos. Ou seja: os limpa e os prepara para o enterro. A princípio relutante em aceitar a função, o jovem acaba tendo em seu patrão um grande mentor, que preenche aquela lacuna que seu pai havia deixado, e em pouco tempo passa a exercer aquela atividade com grande amor e respeito — apesar de ter que escondê-la de sua esposa e dos amigos, que não compreendem.
Resolvi recomendar este filme aqui no blog pela forma com que a morte é por ele enfocada: não se trata de algo feio, horripilante e triste, mas sim de uma passagem, que todos vão ter que experimentar. Exatamente como a doutrina espírita a vê. Há um trecho, bastante significativo, em que um personagem está sobre uma ponte e observa alguns peixes nadando com muita dificuldade contra a maré, sendo que muitos iam até um ponto do rio e morriam. Ele pergunta, então, para um amigo: "Para que tanto esforço para depois morrer?". E o outro lhe responde: "Talvez eles queiram voltar para o lugar onde nasceram”.
Enfim, um dos melhores lançamentos deste ano.